Dólar vai a R$5,36 com 'crash' do petróleo e expectativas sobre corte da Selic


SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava a alta nesta quarta-feira pós-feriado, chegando a tocar 5,36 reais em mais um dia aversão a risco nos mercados globais devido ao ‘crash’ dos preços do petróleo, que evidenciam o forte impacto do coronavírus na atividade econômica, enquanto expectativas de corte da Selic pressionavam a moeda brasileira.

Às 10:16, o dólar avançava 0,75%, a 5,3581 reais na venda. Na máxima do dia, a cotação tocou a máxima histórica de 5,36 reais na venda.

Na B3, o dólar futuro subia 0,62%, a 5,3545 reais.

Nesta quarta-feira, os preços do petróleo Brent chegaram a desabar para menos de 16 dólares por barril, tocando o menor nível desde 1999, com o mercado inundado por excesso de oferta à medida que empresas param sua atividade e consumidores ficam em casa para tentar frear a disseminação da pandemia.

Na segunda-feira, o contrato de maio do petróleo dos Estados Unidos caiu para território negativo, com os investidores pagando para não terem que receber os barris da commodity.

“Essa queda bastante violenta do preço do barril mostra, para mim,(...) que o nível de atividade global está muito pior do que o inicialmente pensado”, disse André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton, em live no Youtube.

No exterior, o dólar apresentava desempenho misto ante moedas arriscadas, estável contra a lira turca e caindo ante peso mexicano e rand sul-africano.

No cenário doméstico, analistas destacavam as expectativas de corte de juros após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dizer na segunda-feira que o cenário analisado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua última reunião mudou.

“O que falamos é que entendemos que as condições que tínhamos no Copom mudaram muito de lá para cá, inclusive as expectativas de inflação”, disse Campos Neto. Na ocasião da última reunião do Copom, o colegiado cortou a Selic em 0,50 ponto percentual e avaliou que tanto uma redução maior no juro quanto afrouxamentos monetários adicionais poderiam se tornar “contraproducentes”.

O corte da taxa básica de juros a mínimas recordes sucessivas tem sido fator de pressão sobre o real, uma vez que reduz rendimentos locais atrelados à Selic, tornando o cenário brasileiro menos atraente para o investidor estrangeiro. Esse contexto é ainda agravado pela pandemia de coronavírus e conflitos políticos recentes entre Executivo e Legislativo.

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