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Dólar tem dia de sobe e desce e bate R$ 5,08 pela 1 vez

17.03.2020

Na segunda-feira, moeda dos EUA fechou acima de R$ 5 pela 1ª vez na história, negociada a R$ 5,0612.

O dólar é negociado sem uma direção única nesta terça-feira (17), chegando a bater pela primeira vez R$ 5,08, em dia em que foi confirmada a primeira morte por coronavírus no Brasil. No foco dos investidores, além dos impactos da pandemia na economia global, também está a decisão sobre a taxa básica de juros, a ser anunciada na quarta-feira.

Às 14h45, a moeda norte-americana caía 0,86%, negociada a R$ 5,0175. Na máxima até o momento, bateu R$ 5,0845 - maior cotação nominal (sem considerar a inflação) já registrada no país. Na abertura, recuou a R$ 5,0099. 

O dólar se manteve acima de R$ 5, mesmo após o Banco Central realizar nesta manhã leilão de linha -- venda com compromisso de recompra -- com oferta de até R$ 2 bilhões.

Um leilão semelhante já havia sido realizado na sexta-feira, a primeira vez que o BC fez oferta líquida de moeda nessa modalidade desde 17 e 18 de dezembro do ano passado, destaca a Reuters.

Já o Ibovespa opera em alta firme nesta terça-feira.

Na segunda-feira, o dólar fechou em alta de 5,16%, negociado a R$ 5,0612 – novo recorde nominal (sem considerar a inflação). Foi também a alta foi a mais intensa desde a disparada de 8,15% de 18 de maio de 2017. No ano, o dólar passou a acumular avanço de mais de 26%.

Após o fechamento dos mercados, o governo anunciou um conjunto de medidas, que preveem injeção de R$ 147,3 bilhões na economia.

Medidas anunciadas por Guedes

O conjunto de medidas anunciadas na véspera pelo Ministério do Economia prevê injetar R$ 147,3 bilhões na economia. O pacote amplia crédito a aposentados e pequenas empresas, suspende temporariamente o recolhimento de tributos e inclui também a antecipação do 13º do INSS e o reforço do Bolsa Família.

Segundo economistas ouvidos pelo G1, as podem ter algum impacto para mitigar os efeitos do coronavírus na economia brasileira, mas são insuficientes para reverter o quadro de piora da atividade. Analistas observaram também que nem todas as medidas anunciadas são fontes novas de recursos, o que acaba reduzindo o alcance real do pacote.

As projeções para a alta do PIB do Brasil em 2020 vem sendo reduzidas e parte dos analistas já projetam um crescimento mais próximo de 1% do que de 1,5%.

Na visão do economista-chefe do banco Julius Baer, Janwillem Acket, os mercados financeiros estão precificando uma recessão global, apesar de ações coordenadas de política monetária, dos esforços para lidar com a liquidez e as restrições de crédito.

Expectativa de corte de juros no Brasil

As atenções da semana também estão voltadas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anuncia nesta quarta-feira (18) a nova taxa básica de juros. Com o novo corte surpresa nos juros anunciado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), aumentam as apostas do mercado de um corte mais expressivo na taxa Selic, atualmente em 4,25%.

Recentemente, os patamares cada vez menores da Selic foram apontados como um fator responsável pela disparada do dólar. A redução do diferencial de juros entre o Brasil e outros países torna rendimentos locais baseados na taxa básica de juros menos atraentes para o investidor estrangeiro, o que reduz a entrada de fluxos nos mercados brasileiros.

 

 

 

 

 

 

 

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