Competitividade e produtividade: o mercado da cana em crescimento no país

Desde 1975 trabalhando no setor canavieiro, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, ou Caio Carvalho, como é amplamente conhecido, coleciona grandes experiências profissionais nesse meio

Formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP, Caio já passou pelo setor de pesquisa da cana-de-açúcar, órgãos governamentais federais e diversas entidades do mercado. Atualmente, é Diretor da CANAPLAN, Diretor de Relações com o Mercado das Usinas do Grupo Alto Alegre S/A, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio e Sócio da Bioagencia.


Na CANAPLAN, lidera um time de profissionais especializados em diversos processos da cadeia produtiva da cana e na integração com outras culturas. A empresa atua tanto no Brasil quanto no exterior, na indústria e no campo.


Em sua rica expertise, Caio Carvalho observa a trajetória da cana-de-açúcar no país como um processo com altos e baixos cíclicos, muito embora considere o agronegócio brasileiro "um mercado extraordinário".

Para Caio Carvalho, competitividade é o nome do jogo.


O engenheiro agrônomo conta que a expansão da cana no Brasil se deu na década de 70, com o fomento de pesquisas e dos preços praticados nos países estrangeiros, fatores que resultaram num panorama competitivo nunca antes visto.


"Nós percebemos que não há outro caminho do Brasil que não seja a competitividade", pontua.

Para Caio, a capacidade competitiva se dá, em resumo, na combinação de preços baixos e alta produtividade. Dessa forma, quando esses pontos sofrem quedas ou são prejudicados, todo o setor sente o declínio.


Em 2008, de acordo com o engenheiro, a crise generalizada impactou também a produção de cana-de-açúcar brasileira. "O Brasil estagnou", conta. A forte queda se deu, dentre diversos motivos, pela falta de políticas públicas à época, além de "uma perda de gestão do negócio devido a falta de investimentos, e do endividamento em função da não resposta da produtividade e da crise de preços do mercado mundial".

Assim, nesse período, o Brasil entrou num novo patamar de produtividade - dessa vez negativo.


Felizmente, Caio Carvalho observa que acabamos de entrar numa nova fase para a cana, a de recuperação. Nesse cenário, produtores, indústria e empresas de insumos trabalham para positivar este patamar.


"Estamos numa virada importante do setor", explica Caio.


Nesse momento, uma gestão equilibrada, com planejamento e investimento em tecnologias avançadas, é essencial para que o país siga crescendo.


Caio frisa a importância da alta qualidade da produção - gerada pelos bons processos e práticas - para a manutenção da competitividade. Uma vez que os produtores trabalham sem subsídios, competir é o que motiva e movimenta o mercado: "esse é o nome do jogo".


Na experiência da CANAPLAN, que assiste cerca de 60% do universo do Centro-Sul brasileiro, é nítido como o planejamento, a mecanização qualificada e o uso de tecnologias modernas resultam no aumento da produtividade. Segundo Caio, produtores que não investem incisivamente nos canaviais podem registrar de 30 a 50% de queda.


"Todo cuidado é essencial", frisa Caio. Do solo aos insumos, da escolha da cultivar às soqueiras, produzir com qualidade, obtendo resultados premiados, é o que garante bons resultados ao produtor e o crescimento geral de todo o mercado da cana-de-açúcar.


"Nós precisamos de todos produzindo muito", finaliza Caio. Conforme pontua, esse é o momento do Brasil retomar a confiança, promover "rupturas de tecnologia" e continuar a investir cada vez mais em pesquisas, desenvolvimento e recursos.


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