Brasil e Tanzânia unem-se para promover trabalho decente na cadeia do algodão


Ao longo de quatro dias, os participantes compartilharam experiências nas áreas de seguridade social, inspeção do trabalho e combate ao trabalho infantil.

A experiência e as boas práticas brasileiras na promoção do trabalho decente no setor de produção de algodão serão sistematizadas, compartilhadas e adaptadas à Tanzânia, informou nesta terça-feira (24) a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Como parte do Programa de Cooperação Sul-Sul, representantes do governo brasileiro e da Tanzânia reuniram-se com técnicos da OIT em Dar es Salaam em novembro do ano passado para uma oficina de trabalho seguida de visita à cidade de Mwanza.

O objetivo foi elaborar de forma conjunta e tripartite um projeto para fortalecer a capacidade do país africano em responder aos desafios da cadeia produtiva do algodão em termos de trabalho decente.

Realizado no âmbito do projeto “Promoção do trabalho decente em países produtores de algodão na África e América Latina”, executado por OIT, governo brasileiro e Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o evento teve como base os princípios da Cooperação Sul-Sul — horizontalidade, solidariedade e não condicionalidade entre os países em desenvolvimento.

Cerca de 40 pessoas participaram da oficina, entre elas técnicos da OIT dos escritórios de Brasília e Dar es Salaam. A delegação do governo brasileiro foi composta por representantes da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério do Trabalho e da Secretaria de Previdência Social do Ministério da Fazenda.

A delegação da Tanzânia foi formada por representantes do Escritório do Primeiro Ministro para o Trabalho, Juventude, Emprego e Pessoas com Deficiência (PMO-LEYD), além de membros de outras instituições governamentais, de organizações de empregadores, de trabalhadores e da sociedade civil.

Ao longo dos quatro dias de trabalho, os participantes compartilharam experiências nas áreas de seguridade social, inspeção do trabalho e combate ao trabalho infantil.

“Esta iniciativa fortalece a cooperação entre os países e abre caminho para a articulação de diversas experiências brasileiras bem-sucedidas de erradicação do trabalho infantil, inclusão produtiva e promoção do emprego de jovens no setor de produção de algodão”, declarou a Comissária do Trabalho da Tanzânia, Hilda Kabissa.

O especialista em emprego da OIT em Dar es Salaam, Jealous Chirove, disse que “o apoio do Brasil à promoção do trabalho decente no setor do algodão é muito oportuno, uma vez que nos últimos anos o algodão passou a ser o segundo maior cultivo de exportação da Tanzânia, atrás apenas do café”.

A secretária de inspeção do trabalho do Brasil, Maria Teresa Jensen, destacou os esforços que viabilizaram a cooperação, e ressaltou que as políticas brasileiras de combate ao trabalho infantil e escravo começaram com o reconhecimento do problema pelo país e com o envolvimento direto da inspeção do trabalho.

Parceria entre OIT, Brasil e IBA

Antes da missão conjunta à Tanzânia em novembro, foi feito um estudo sobre os déficits de trabalho decente na cadeia produtiva do algodão no país africano, com o objetivo de identificar os principais desafios e oportunidades para subsidiar a cooperação.

A iniciativa foi executada por OIT, governo brasileiro e IBA, compartilhando experiências brasileiras relevantes em áreas como combate à pobreza e discriminação, inclusão produtiva, diálogo social, prevenção e erradicação do trabalho infantil e do trabalho forçado, formalização do trabalho, promoção do emprego de jovens e da igualdade de gênero, raça e etnia.

Além da Tanzânia, outros quatro países produtores de algodão fazem parte da iniciativa de Cooperação Sul-Sul trilateral: Paraguai, Peru, Mali e Moçambique, informou a OIT.