Medo, pavor e sofrimento nas arenas das vaquejadas


Parecer do Conselho Federal de Medicina Veterinária reconhece que a forma de "entretenimento" resulta em ansiedade e desespero para os animais


Uma no cravo e outra na ferradura. O editorial hoje da Folha de S. Paulo sobre o “imbróglio” da vaquejada segue o velho princípio da velha UDN – não é contra, nem a favor, muito pelo contrário.

A Folha começa seu texto com uma martelada no cravo: “Tradição, no entanto, não equivale a um selo de garantia eterna. A sensibilidade moderna em relação ao tratamento dispensado aos animais está mudando rapidamente, de forma que se tolera cada vez menos este tipo de atividade”.

Para quem pensa que a posição da Folha é contra a vaquejada, logo vem outra martelada na ferradura: “O STF, infelizmente, inclinou-se para o lado menos recomendado”, diz o editorial do jornal paulistano, criticando o fato de os ministros da corte, por 6 a 5, terem considerado inconstitucional uma lei estadual do Ceará que regulamentava a vaquejada.

Segundo a Folha, os ministros fizeram prevalecer o artigo 225 da Constituição Federal, que veda práticas que submetam os animais a crueldade, sobre o artigo 215, que garante o exercício de tradições culturais.

E a conclusão do jornal é uma verdadeira piada – “Uma interpretação baseada num conceito subjetivo como a crueldade abre flanco para questionamentos diversos. Matadouros e açougues, por exemplo, devem ser banidos? O Estado pode promover campanhas sugerindo o extermínio de insetos, que também são animais?”, pergunta a Folha, para concluir que os ministros deveriam tratar de temas importantes.

Crueldade é um “conceito subjetivo”, como quer a Folha, ou é um ato que provoca medo, sofrimento e dor?

Exterminar ratos e baratas, que trazem danos à saúde humana, é a mesma coisa que derrubar violentamente, por esporte ou por tradição, os bezerros pelo rabo?

Nos frigoríficos, os animais hoje são abatidos com pistolas pneumáticas, após um processo de insensibilização ou atordoamento, que tem como função deixá-los inconscientes e evitar o seu sofrimento.

Medo, ansiedade, desespero. Só isso já basta para acabar com esta discussão, como mostra o parecer do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que na semana passada se manifestou contrário “às práticas realizadas para entretenimento que resultem em sofrimento aos animais, a exemplo da vaquejada”.

Para o CFMV, só o impedimento de fuga do animal já é cruel, pois causa ansiedade e desespero aos bezerros. E não só isso, os animais são submetidos a dor e sofrimento nas pistas das vaquejadas, vítimas de contusões, ferimentos e fraturas. Não é um conceito subjetivo, é ciência.